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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Notas das últimas comédias

Eu resisto a comédias!

Nas prateleiras das locadoras, eu não paro nesta sessão. Entretanto, os últimos tempos e acontecimentos foram me levando a considerá-la.

Assisti novos nomes da sátira, do humor e da reflexão nacional.
Estive com amigos divertindo-me em um teatro itinerante, chamado "Biribinha".
E ontem, meus pais - que adoram comédias - me levaram para rir com Paulinho Mixaria.

O balanço de todos estes evntos é positivo: é possível rir do que acontece e, especialmente, de si mesmo! E o humor não precisa se "baixo", "sexualizado" nem "ridículo". Ele pode ser simples, ingênuo e genuíno. E isso basta para ele ser humor e contagiar àqueles que estão ali, em escuta, esperando a próxima "saia justa" da personagem.

E o mais legal de tudo: há ideias que precisam ser anotadas para serem lembradas!

1a ideia: "a humildade é um sentimento, a pobreza é uma situação"
2a ideia: "avós são pais com açúcar, porque não precisam mais se preocupar tanto assim" (essa já vem sido dita há tempos, mas precisava registrar!)

Vou assim, registrando notas...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ser feliz...

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Mário Quintana

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sobre o amor, de novo!

o amor só é lindo
quando encontramos
alguém que nos
transforme no melhor
que podemos ser

Mário Quintana

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O sapo e o escorpião

O escorpião aproximou-se do sapo que estava à beira do rio. Como não sabia nadar, pediu uma carona para chegar à outra margem.

Desconfiado, o sapo respondeu: “Ora, escorpião, só se eu fosse tolo demais! Você é traiçoeiro, vai me picar, soltar o seu veneno e vou morrer”.

Mesmo assim o escorpião insistiu, com o argumento lógico de que se picasse o sapo ambos morreriam. Com promessas que poderia ficar tranqüilo, o sapo cedeu, acomodou o escorpião em suas costas e começou a nadar.

Ao fim da travessia, o escorpião cravou o seu ferrão mortal no sapo e saltou ileso em terra firme.

Atingido pelo veneno e já começando a afundar, o sapo desesperado quis saber o porquê de tamanha crueldade. O escorpião respondeu friamente:

- Porque essa é a minha natureza!

Fábula apresentada por Ana Beatriz Barbosa Silva, em Mentes Perigosas: o psicopata mora ao lado, publicado pela Objetiva em 2008.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Feliz dia do Psicólogo!!!

Ser Psicólogo

Walmir Monteiro


Ser psicólogo é uma imensa responsabilidade.

Não apenas isso, é também uma notável dádiva.

Recebemos o dom de usar a palavra, o olhar,

as nossas expressões, e até mesmo o silêncio.

O dom de tirar lá de dentro o melhor que temos

para cuidar, fortalecer, compreender, aliviar.


Ser psicólogo é um ofício tremendamente sério.

Mas não apenas isso, é também um grande privilégio.

Pois não há maior que o de tocar no que há de mais

precioso e sagrado em um ser humano: seu segredo,

seu medo, suas alegrias, prazeres e inquietações.


Somos psicólogos e trememos diante da constatação

de que temos instrumentos capazes de

favorecer o bem ou o mal, a construção ou a destruição.

Mas ao lado disso desfrutamos de uma inefável bênção

que é poder dar a alguém o toque, a chave que pode abrir portas

para a realização de seus mais caros e íntimos sonhos.


Quero, como psicólogo aprender a ouvir sem julgar,

ver sem me escandalizar, e sempre acreditar no bem.

Mesmo na contra-esperança, esperar.

E quando falar, ter consciência do peso da minha palavra,

do conselho, da minha sinalização.

Que as lágrimas que diante de mim rolarem,

pensamentos, declarações e esperanças testemunhadas,

sejam segredos que me acompanhem até o fim.


E que eu possa ao final ser agradecido pelo privilégio de

ter vivido para ajudar as pessoas a serem mais felizes.

O privilégio de tantas vezes ter sido único na vida de alguém que

não tinha com quem contar para dividir sua solidão,

sua angústia, seus desejos.

Alguém que sonhava ser mais feliz, e pôde comigo descobrir

que isso só começa quando a gente consegue

realmente se conhecer e se aceitar.

domingo, 23 de agosto de 2009

Sobre ódio e dor

"Que bom
Se o ódio
E a dor
Pudessem se apagar
Com apagador".

Millôr Fernandes

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sobre mudanças...

Mude

Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.
Mude de caminho, ande por outras ruas,
observando os lugares por onde você passa.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Descubra novos horizontes.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
Busque novos amigos, tente novos amores.
Faça novas relações.
Experimente a gostosura da surpresa.
Troque esse monte de medo por um pouco de vida.
Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude.
Mude.
Dê uma chance ao inesperado.
Abrace a gostosura da Surpresa.
Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia.
Lembre-se de que a Vida é uma só,
e decida-se por arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Abra seu coração de dentro para fora.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Exagere na criatividade.
E aproveite para fazer uma viagem longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas diferentes, troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você conhecerá coisas melhores e coisas piores,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, a energia, o entusiasmo.
Só o que está morto não muda !

Edson Marques

domingo, 9 de agosto de 2009

Declaração dos direitos de auto-afirmação

I. Você tem o direito de julgar seu próprio comportamento, pensamentos e emoções, e de assumir a responsabilidade pela iniciação e consequências dos mesmos em você mesmo.

II. Você tem o direito de não oferecer razões ou desculpas para justificar seu comportamento.

III. Você tem o direito de julgar se é responsável para encontrar soluções para os problemas alheios.

IV. Você tem direito de mudar de opinião.

V. Você tem o direito de cometer erros - e de ser responsável por eles.

VI. Você tem o direito de dizer: "Não sei".

VII. Você tem o direito de ser independente da boa vontade dos outros, antes de se relacionar com eles.

VIII. Você tem o direito de ser ilógico nas suas decisões.

IX. Você tem o direito de dizer: "Eu não compreendo".

X. Você tem o direito de dizer: "Não me importo".

VOCÊ TEM O DIREITO DE DIZER NÃO, SEM SE SENTIR CULPADO.


SMITH, M. J. Quando digo não, me sinto culpado: como aumentar sua capacidade de afirmação. 6a ed. Rio de Janeiro: Record.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O outro e eu

" Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou,
não pelo que tenho...

Que me veja como um ser humano completo,
que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona,
que de valor ao que realmente importa,
que é meu sentimento...
e não brinque
com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude,
para que eu nunca cresça,
para que eu seja sempre eu mesmo."


Mário Quintana

Sossega coração

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.


Fernando Pessoa

sábado, 18 de julho de 2009

Sobre ter fé

"Ter medo de quê, então? Se cada nova manhã é um exercício involuntário de fé".

Cristiana Guerra, no blog amor e ponto.

sábado, 4 de julho de 2009

Sobre possibilidades de ser...

“num dado momento penso que num canto de mim nascerá uma planta. começo a rondá-la, achando que nesse canto se produziu alguma coisa rara, mas que poderia ter futuro artístico. eu estaria feliz se essa idéia não fracassasse de todo. contudo, devo esperar por um tempo ignorado: não sei como fazer a planta germinar, nem como favorecer seu crescimento, nem como cuidar dela; só pressinto ou desejo que tenha folhas de poesia; ou algo que se transforme em poesia se certos olhos olharem para ela. devo tomar cuidado para que não ocupe espaço demais, para que não pretenda ser bela ou intensa, mas que seja a planta que ela mesma está destinada a ser, e que eu possa ajudá-la a sê-lo. ao mesmo tempo, ela crescerá de acordo com um observador que não se importará muito em querer lhe sugerir intenções ou grandezas demais. se for uma planta dona de si mesma, terá uma poesia natural, desconhecida para si própria. ela deve ser como uma pessoa que não sabe quanto vai viver, mas que tem necessidades próprias, com um orgulho discreto, um pouco desajeitada, e que pareça improvisada. ela não conhecerá suas próprias leis, embora as tenha no mais fundo e a consciência não as possa alcançar. não saberá o grau e a maneira como a consciência intervirá, mas em última instância imporá sua vontade. e ensinará a consciência a ser desinteressada.”

Felisberto Hernández. O cavalo perdido e outras histórias.

sábado, 24 de maio de 2008

Trechos de leitura

"Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça. Não há ato mais infame do que roubar." (p. 110)

"Quando fiquei mais velho, li nos meus livros de poesias que a yelda era a noite sem estrelas em que aqueles que sofrem por amor permanecem acordados, suportando a escuridão interminável e esperando que o nascer do sol traga consigo a pessoa amada." (p. 147)


"- E quanto a mim, baba? O que é que eu vou fazer? - indaguei, com os olhos cheios de lágrimas.
(...)
- Você está com vinte e dois anos, Amir! Já é adulto! Você... - abriu a boca, fechou-a, voltou a abri-la, reconsiderou. Sobre as nossas cabeças, a chuva tamborilava no toldo de lona. - Está querendo saber o que vai acontecer com você. É isso que venho tentando lhe ensinar durante todos esses anos: a nunca precisar fazer essa pergunta." (p. 160)


Hosseini, K. O caçador de pipas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Sobre a responsabilidade em ser feliz

Durante um seminário para casais, perguntaram a uma das esposas:

- Seu marido lhe faz feliz? Ele lhe faz feliz de verdade?

Neste momento, o marido levantou seu pescoço, demonstrando total segurança.

Ele sabia que a sua esposa diria que sim, pois ela jamais havia reclamado de algo durante o casamento.

Todavia, sua esposa respondeu a pergunta com um sonoro 'NÃO', daqueles bem redondos!-

'Não, o meu marido não me faz feliz'!

(Neste momento o marido já procurava a porta de saída mais próxima).

'Meu marido nunca me fez feliz e não me faz feliz!

Eu sou feliz'.

E continuou: 'O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele; e sim de mim..

Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade.

Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida, pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou circunstância sobre a face da Terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda constantemente: o ser humano, as riquezas, o meu corpo, o clima, o meu chefe, os prazeres, os amigos, minha saúde física e mental.

E assim eu poderia citar uma lista interminável.

Eu decido ser feliz! Se tenho hoje minha casa vazia ou cheia: sou feliz!

Se vou sair acompanhada ou sozinha: sou feliz! Se meu emprego é bem remunerado ou não: eu sou feliz!

Sou casada, mas era feliz quando estava solteira.
Eu sou feliz por mim mesma.

As demais coisas, pessoas, momentos ou situações eu chamo de 'experiências que podem ou não me proporcionar momentos de alegria e tristeza.

Quando alguém que eu amo morre eu sou uma pessoa feliz num momento inevitável de tristeza.

Aprendo com as experiências passageiras e vivo as que são eternas como amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.

Há pessoas que dizem: hoje não posso ser feliz porque estou doente, porque não tenho dinheiro, porque faz muito calor, porque alguém me insultou, porque alguém deixou de me amar, porque eu não soube me dar valor, porque meu marido não é como eu esperava, porque meus filhos não me fazem felizes, porque meus amigos não me fazem felizes, porque meu emprego é medíocre e por aí vai.

Eu amo meu marido e me sinto amada por ele desde o namoro e ainda mais depois que nos casamos.
Amo a vida que tenho, mas não porque minha vida é mais fácil do que a dos outros.

É porque eu decidi ser feliz como indivíduo e me responsabilizo por minha felicidade.

Quando eu tiro essa obrigação do meu marido e de qualquer outra pessoa, deixo-os livres do peso de me carregar nos ombros.

A vida de todos fica muito mais leve.
E é dessa forma que consegui um casamento bem sucedido ao longo de tantos anos.

Nunca deixe nas mãos de ninguém uma responsabilidade tão grande quanto à de assumir e promover sua felicidade.
SEJA FELIZ, mesmo que faça calor, mesmo que esteja doente, mesmo que não tenha dinheiro, mesmo que alguém tenha lhe machucado, mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor'.

Autor desconhecido

domingo, 4 de maio de 2008

O contrário do amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.


Martha Medeiros

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Sobre amar

Sabe...

eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você
ou aquilo que eu queria ver em você

Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que, no fundo, talvez nem eram suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende??

Caio Fernando De Abreu

domingo, 6 de abril de 2008

Quando me amei de verdade

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E então, pude relaxar.

Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.

Hoje sei que isso é...Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.

Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.

Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.

Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.

Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.

Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Tudo isso é... Saber viver!!!

Charles Chaplin

Do orkut da minha amiga Sônia... Thanks!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Dois falsários ensaiam

Um dos textos mais lindos e mais significativos que já li no meu intervalo de vida...



- Tudo bom? O que aconteceu? Não tem me ligado! Não apareceu mais?
- Andei precisando ficar sozinho.
- O que aconteceu?
- Deveria ter acontecido alguma coisa?
- Como eu vou saber? Você mudou! Não é mais o mesmo!
- Não é possível que as pessoas continuem esperando que sejamos sempre os mesmos. Não há como ser sempre o mesmo. Você pensa que não mudou também?
- Sim! Não! Não sei se compreendi muito bem o que quer dizer? Não gosta mais de mim?
- Olha, sabe quando o fogo apaga porque não há ar suficiente?
- ...?
- É isso! O ar se extinguiu! E com ele a chama. Fica assim.
- O que faz você pensar que pode me jogar isso na cara assim de modo tão egoísta? Você não tem esse direito!
- Não, veja, não se trata de direito ou não! A questão aqui não é de posse, mas exatamente da total falta dela. Trata-se de desapego.
- Você está me ofendendo!
- Pois não deveria se sentir ofendida! Acontece o tempo inteiro no mundo. Aconteceu comigo, já deve ter acontecido com você e com pessoas que te amaram um dia. As pessoas se cansam umas das outras e fim. Algumas logo deixam transparecer. Outras escondem seus sentimentos esperando que algo aconteça, mas nada acontece, então desistem também. É do seu jeito. Resistem apenas um pouco mais. Há outras que preferem afirmar seus sentimentos de uma maneira abreviada. Este é o caso aqui. Não caberia falar de erros e desencontros. O que havia já não há mais. Já não há mais compreende? O que se pode fazer? Fingir certamente que não!
- Você sempre foi assim tão frio, tão cheio de juízos e razões! Você só está interessado nos teus motivos e no de ninguém mais!
- ...
- O que vai fazer agora?
- O que todas as pessoas fazem. Vou continuar.
- E para onde vai?
- O que importa nessa altura?
- Vai voltar?
- Não se pode responder a isso! Como negar que não? Como afirmar que sim? A vida tem...
- Ah vida!
- ...
- Você fala das coisas como se fosse o seu juiz!
- Não, eu não sou. Eu penso como os réus pensam. Apenas estou aguardando por algo numa situação interminável. Você não faz idéia...
- Eu não compreendo você!
- Faz bem. Já tem problemas demais.
- ...
- Li em algum lugar, uma vez, que talvez seja contra a natureza humana viver por toda a vida sempre interessado em apenas uma pessoa. O que pensa disso?
- Penso que é conversa fiada! Como tudo o que diz respeito aos sentimentos das pessoas. Fala-se muito sobre! Especialistas escrevem livros! Mas o que acontece sempre escapa a todos aqueles que estão de fora. Só quem vive sabe como é!
- Talvez não devesse descartar tão de imediato a idéia...
- Vai me fazer compreender? Vai me fazer me sentir melhor?
- Possivelmente não. Mas quem sabe torne você mais tolerante a tais desencontros. Um dia me foi importante aprender o mesmo! Nunca se esgota completamente o assunto. Mas já dá indícios para recomeçar de algum lugar.
- Você me cansa com a sua arrogância...Sempre incapaz de qualquer autoreprovação! ...Esse mesmo jeito de falar de todo o sempre!...
- Não acredito.
- Quê?
- Não acredito em você...Desse jeito...Com essa cara, esse modo de falar...Não é a imagem que eu vou levar comigo, ...Nunca me interessei por esse aspecto de você, ainda que compreenda que não muda muito as coisas...
- E você vai levar alguma coisa minha? Eu te deixei algo por acaso? Você vai esquecer, por Deus, vai esquecer tudo, sim! Só faz lembrar o que te apraz...Você não é tão consciente, não, não é!
- Eu vou levar algo seu, de qualquer modo. Assim como devo ficar, em parte. Não temos escolha. Não fazemos as regras.
- Para você trata-se de um lance de dados! Mas Deus não jogará mais dados! Não com a minha vida! Não mesmo!
- Tente não ficar assim. Não quero vê-la assim.
- E como devo ficar? Vou logo ali no quarto buscar o meu batom! Quer que eu escancare a boca pra você? Quem sabe quer que eu me dispa ainda mais? Isso! Vou tirar a roupa! O que me diz? Ainda dá tempo para uma boa transa, não? Vocês rapazes são sempre tão práticos! Tão pouco...convencionais!
- Eu acho que esse papel não lhe cai bem...
- E quem se importa! Quem se importa!?
- Eu ainda me importo com você...
- Ora, vá para o diabo com as tuas preocupações! São as minhas, entendeu! As minhas que estão em jogo! Só as minhas!
- ...
- ...
- É melhor eu ir embora agora...
- ...
- Queria...
-...
- Apenas te dizer mais uma coisa...
- Fica!
- ...
- Fica aqui...! Aqui comigo...!
- Olha, um dia eu quis ficar, muito, e um dia, também, quis apenas passar, como e com todo o resto das coisas que passam. Parte minha, a que quer ficar já é desencontro. A outra parte, já é partida. Não resta mais nada. Por favor, entenda...
- Porque você voltou? Porque veio? Diga! Porque veio?
- Para ver você. Uma última vez ainda.
- ...
- ...
- Satisfeito, então?
- Não.
- O que mais quer de mim?
- Quero que seja feliz. Quero que você saiba...
- Você é um imbecil completo! Com-ple-to!
- Talvez. Como todos os demais eu faço o que posso. Há tolos no mundo por toda parte. Tome cuidado com suas certezas aparentemente tão naturais. Mas não pense que são inevitáveis, por que não são!
- Vá embora!
- Uma última coisa apenas...
- Vá embora! Vá embora! Saia!
- ...
- ...
- Li um romance faz muito tempo, falava de um lugar distante...
- ...?
- Em Shangri-lá, após um período de cinco anos, diz-se que as pessoas perdem as recordações da vida que deixaram para trás e lhes resta apenas uma certa nostalgia por um tempo impreciso e remoto. A partir disso, finalmente, estão prontas para retomar a sua caminhada...Não carregam mais o peso inútil do passado...
- ...
- Eu espero que depois de fechar essa porta, esses cinco anos passem em cinco minutos e que você possa retomar a sua vida, como eu recomecei a minha um dia...
- ...
- É possível!...
- Nem mais uma palavra...por favor...
- É o que desejo.
- Você é tão...estúpido! A vida é tão estúpida!
- Assim que eu atravessar essa porta, vou fingir que os cinco anos também passarão em cinco minutos para mim e talvez assim eu possa te ver melhor. Talvez eu me sinta melhor.
- Mas são apenas palavras! Sempre são apenas palavras! Eu tenho muito medo! Medo! Medo!
- Eu também tenho! Já não estou mais tão certo assim das coisas. Mas me deixa ir...Me deixa partir...!
- Mas eu não estou mais impedindo você...! Você já disse tudo o que precisa dizer, não tem mais o que esperar aqui de nós, de mim, dessa casa!
- E vai fazer o que então?
- Ficar aqui. E esperar.
- Espera o quê?
- Você sair por esta porta, homem! Eu não compreendo vocês homens, não mesmo!
- ...
- ...
- Pois você deveria me impedir!
- ...?
- Você deveria!
- ...?
- Seja mais dura! Me ofenda se for preciso! Me arranque os cabelos! Jogue a maldita chave dessa porta idiota pela janela!
- ...?
- Diga qualquer coisa...Contra os meus motivos, as minhas razões...!
- Eu...
- Você deve se importar...!
-...?
- Nós estamos envelhecendo, sabia?
- Mas você agora mesmo...?
- Você é todo o futuro que eu tenho! E eu sou o único futuro de nós dois!
- ...?
-...?
-...
- Não sei mais o que dizer...! Não sei mais...Não sei mais o que dizer!
Ela apenas sorriu. Ela compreendia tudo sempre tão bem.
Epílogo:
- Terminamos aqui. Você hoje foi muito bem, meu amor.
- Você acha mesmo?
- Com toda certeza que sim!
- Eu gostaria de ficar em silêncio agora...
- Então não diga mais nada. Passamos tempo demais tentando decifrar enigmas por pura diversão. Esse jogo ainda vai nos desgastar um dia! O que será de nós quando enfim não sobrarem mais desafios nem coisas a serem redescobertas?
- Eu realmente não sei.
- Mas não se preocupe mais. Venha! Venha comigo! Vamos fechar essa porta! Vamos dormir...
- E esquecer tudo isso!
- Muito bem, meu querido! Muito bem!
- Eu estou exausto!
- Amanhã, assim que despertarmos bem cedo, você sabe, ambos estaremos...
- Em Shangri-lá, não é?!
- Exatamente! Agora durma, durma! Assim, muito bem, meu querido. Minha doce criança!
- Até quando vamos continuar com esse jogo?
- Durma! Durma! Durma e sonhe com Shangri-lá...
- Amo você.
- Também.
- Só mais uma coisa...?
- O que é?
- O que achou de minha performance esta noite?
- Dramática, eu diria...
- Ora, você será sempre terrível!
- Você na frente minha querida! Você sempre na frente...
E foram felizes para sempre.

Texto de Alexandre Magno da Silva, em 16.10.2002

sábado, 1 de dezembro de 2007

Para Viver Um Grande Amor


Vinicius de Moraes

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.