Estou estudando bastante sobre o autoconceito. O meu não é muito bom, não. Tem gente que diz que ele é distorcido. Eu queria acreditar nisso realmente.
Eu tenho um espírito infantil: preciso dormir um monte, sair para passear, brincar, ler uma boa história, comer um monte de baboseira, acreditar em papai noel e que tudo vai ficar bem...
O Sr. Keuner observou o desenho da sua sobrinha pequena. Representava uma galinha, voando sobre um pátio. "Por que a sua galinha tem três pernas?", perguntou por ele. "As galinhas não voam", respondeu a pequena artista, "por isso precisei de mais uma perna para dar o impulso".
"Estou contente por ter perguntado", disse o Sr. Keuner.
Bertolt Brecht, Histórias do Sr. Keuner, Editora 34, 2006.
Tienen miedo del amor y no saber amar Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz Tienen miedo de pedir y miedo de callar Miedo que da miedo do miedo que da
Tienen miedo de subir e miedo de bajar Tienen miedo de la noche y miedo del azul Tienen miedo de escupir e miedo de aguantar Miedo que da miedo do miedo que da
El miedo es una sombre que el temor no esquiva El miedo es una trampa que atrapó al amor El miedo es la palanca que apagó la vida El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Têm medo de gente e de solidão Têm medo da vida e medo de morrer Têm medo de ficar e medo de escapulir Medo que dá medo do medo que dá
Têm medo de ascender e medo de apagar Têm medo se espera e medo de partir Têm medo de correr e medo de cair Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma linha que separa o mundo O medo é uma casa aonde ninguém vai O medo é como um laço que se perta em nós O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar Tienen miedo de encontrar-se y miedo de no ser Tienen miedo de decir y miedo de escuchar Miedo que da miedo del miedo que da
Têm medo de parar e medo de avançar Têm medo de amarrar e medo de quebrar Têm medo de exigir e medo de deixar Medo que dá medo do medo que dá
O medo é uma sombra que o temor não desvia O medo é uma armadilha que pegou o amor O medo é uma chave que apagou a vida O medo é uma bracha que fez crescer a dor
El miedo es una raya que separa el mundo El miedo es una casa donde nadie va El miedo es como un lazo que se apierta en nudo El miedo es una fuerza que me impide andar
Medo de olhar no fundo Medo de dobrar a esquina Medo de ficar no escuro De passar em branco, de cruzar a linha Medo se achar sozinho De perder a rédea, a pose e o prumo Medo de pedir arrêgo, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara Ou escondido no porão Medo circulando nas veias Ou em rota de colisão Medo é de Deus ou do Demo? É ordem ou é confusão? O medo é medonho O medo domina O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara, medo de encarar Medo de calar a boca, medo de escutar Medo de passar a perna, medo de cair Medo de fazer de conta, medo de iludir
Medo de se arrepender Medo de deixar por fazer Medo de amargurar pelo que não se fez Medo de perder a vez Medo de fugir da raia na hora H Medo de morrer na praia depois de beber o mar Medo que dá medo do medo que dá Mm, medo que dá medo do medo que dá
"Foi Hinde quem operacionalizou, de forma mais clara, as concepções de interação e relação social. Para esse autor, a interação social inclui, no mínimo, o comportamento X emitido pelo indivíduo A em direção ao indivíduo B e a resposta Y de B para A. A relação social, que inclui as interações estabelecidas durante um longo período de tempo, possui características próprias que são distintas das interações, tais como intimidade e compromisso" (Aspesi e cols, A Ciência do Desenvolvimento, p. 25, 2005).
O que você acha? isso basta para explicar o que há entre "eu-tu", "eu-ele", "tu-ele", "eu-tu-ele"?
"Tinham as mãos amarradas, ou algemadas, e ainda assim os dedos dançavam, voavam, desenhavam palavras.
Os presos estavam encapuzados; mas inclinando-se conseguiam ver alguma coisa, alguma coisinha, por baixo. E embora fosse proibido falar, eles conversavam com as mãos.
Pinio Ungerfeld me ensinou o alfabeto dos dedos, que aprendeu na prisão sem professor: - Alguns tinham caligrafia ruim - me disse -. Outros tinham letra de artista.
A ditadura uruguaia queria que cada um fosse apenas um, que cada um fosse ninguém: nas cadeias e quartéis, e no país inteiro, a comunicação era delito.
Alguns presos passaram mais de dez anos enterrados em calabouços solitários do tamanho de um ataúde, sem escutar outras vozes além do ruído das grades ou dos passos das botas pelos corredores.
Fernández Huidobro e Mauricio Rosencof, condenados a essa solidão, salvaram-se porque conseguiram conversar, com batidinhas na parede. Assim contavam sonhos e lembranças, amores e desamores; discutiam, se abraçavam, brigavam; compartilhavam certezas e belezas e também dúvidas e culpas e perguntas que não têm resposta.
Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada".